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Faltam -172 dias para o 3º Mutirão Estadual da Comunicação começar!

Discurso do Pe. Marcos Radaelli

julho 19th, 2008

Reverendíssimo Senhor Dom Orani João Tempesta, Arcebispo de Belém do Pará;

        Reverendíssimo Senhor Dom Ercílio Turco, Bispo Diocesano de Osasco e vice-presidente do Regional Sul 1 da CNBB;

        Reverendíssimo Senhor Dom Vilson Dias de Oliveira, Bispo Diocesano de Limeira e Bispo referencial da Pascom neste Regional;

       

        Prezada Ir. Alba, Coordenadora Regional da Pascom;

        Prezados participantes deste III Mutirão Regional de Comunicação:

 

        Como assessor da Pastoral da Comunicação desta diocese, dou as boas vindas a todos e, em nome dos nossos agentes, manifesto a alegria que sentimos em recebê-los para este evento de significativa importância para a Igreja e para a sociedade. Desde já parabenizo a iniciativa do Setor de Comunicação do Regional Sul 1 da CNBB.

        Juntos estaremos aqui, nestes quatro dias de mutirão, participando das conferências, oficinas, eventos culturais e demais atividades propostas, que visam aprofundar a discussão em torno da temática apresentada: “Processos de Comunicação e Cultura Solidária”.

        O tema é significativamente oportuno e certamente desperta o interesse de todos os que, de alguma forma, estão envolvidos com os processos de comunicação e se sentem impelidos à uma postura eficazmente atuante em vista de uma cultura solidária, sobretudo neste momento de nossa história, marcado por mudanças tão profundas em tudo o que reflete a realidade vital da humanidade.

        Os processos de globalização fazem emergir um novo cenário mundial, decididamente diferente e muito mais complexo que os padrões tradicionais. Muitos são os avanços na ciência e na tecnologia que impulsionam e aceleram as transformações sociais, políticas, econômicas e culturais. As análises de conjuntura de que dispomos, sobretudo as feitas de modo interdisciplinar, representam um instrumento válido, necessário e eficaz para nos ajudar na compreensão e atuação nesta realidade emergente. No entanto, iluminados pela ainda recente V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, somos convocados a lançar um olhar mais atento a este vasto continente, também submetido aos constantes processos de mudança.

Estas mudanças trazem benefícios e são claros os seus reflexos, rumos ou tendências, inclusive nos níveis político e econômico, que apontam a uma postura maior de diálogo, de acordos e de integração. Porém, é saliente que ainda existem problemas. Alguns em conseqüência das influências negativas dos processos de globalização que incidem sobre o continente, outros já são herança de um passado não muito distante. Importante é notar que a realidade que nos circunda é feita de contrastes, que não derivam apenas de sua complexidade, mas, sobretudo, das desigualdades sociais, que geram um abismo expressivamente doloroso entre os mais abastados e aqueles que são privados de tudo o que é necessário para uma vida digna.

        Se da história deste continente permanecem resquícios ainda ativos da exploração e opressão, a globalização impulsiona o surgimento de novas formas de exclusão social. Isso significa que, além dos que tem pouco em oportunidades, é grande o número daqueles que nada tem, pois considerados inexistentes ou descartáveis. Muito mais há para se debater sobre a realidade presente em nível continental, e, para esta tarefa, se faz necessário um forte empenho interdisciplinar, pois não é mais possível tratar discriminadamente todas as dimensões que compõem o espaço humano. Uma análise integral seguramente será muito mais proveitosa e lançará luzes sobre este tema de suma importância.

        Mas o tema “Processos de Comunicação e Cultura Solidária”, conduz a uma maneira diferente de entender a postura dos meios de comunicação social, bem como dos comunicadores dentro da cultura moderna. Não são mais meros produtos de um contexto social nem um elemento sem importância e passivo no mesmo, pois num mundo complexo, são impelidos a uma tarefa também complexa e de grande eficácia estratégica no processo humano. Grande é sua capacidade de incidência na política, na economia e na cultura. Neste sentido, muito se espera, pois grande é o potencial de influência dos processos de comunicação no intercâmbio e na produção de conhecimento, sistematizando e desenvolvendo as mudanças do presente, como já afirmado, aceleradas pelas novas tecnologias de comunicação e informação.

        Note-se que este novo cenário remete aos comunicadores inúmeros desafios, expectativas, e novas necessidades para interagir, inclusive, com as alterações ou novidades na linguagem, próprias do momento, o que se faz necessário, pois há um novo cenário, exposto de uma nova forma. Sem esta consideração, resta apenas a ilusão de compreender o que se passa em seu redor.

        Entretanto é significativo relembrar o tema proposto pelo Papa Bento XVI para o 42º Dia Mundial das Comunicações Sociais, e, a partir daí, compreender qual deve ser a tarefa dos processos e dos comunicadores cristãos diante deste contexto complexo de mudanças: “Os meios: na encruzilhada entre protagonismo e serviço. Buscar a verdade para compartilhá-la”. Aqui entende-se que a comunicação, seus processos ou meios, devem deixar de ser referência de si mesmos, e assumir uma postura de serviço na busca e partilha da verdade. E ainda antes de chegar ao tema deste III Mutirão Regional de Comunicação, vale lembrar o que apresentaram os bispos na V Conferência do CELAM: uma globalização sem solidariedade afeta negativamente os menos favorecidos, os pobres, e gera o fenômeno da exclusão. Os novos pobres são, especialmente, os privados de conhecimento e uso das novas tecnologias. O grande chamado é pra que se promova uma globalização marcada pela solidariedade, pela justiça, pelo respeito aos direitos humanos, e assim fazer da America Latina e do Caribe, verdadeiramente, não só o continente da esperança, mas sobretudo do amor (DA 62;65).

        É exatamente aqui que se entende a tarefa ou a missão dos processos de comunicação na edificação de uma cultura solidária, o que exige uma ligação recíproca entre as diferentes esferas e forças vivas da sociedade. A comunicação social pode contribuir válida e eficazmente para viabilizar esta realidade tão desejada, e isso através das novas tecnologias, linguagens e oportunidades de criar laços solidários de ajuda, debate, diálogo, propostas. Sem esta integração, não é possível criar solidariedade, mas a mesma, em seu sentido mais genuíno, exige colaboração mútua. Urge que a comunicação e os comunicadores cristãos avancem no compromisso com a criação de uma cultura que salvaguarde os valores humanos, crie um mundo mais justo e pacífico.

        Como cristãos, como Igreja, temos uma missão. A missão da Igreja é evangelizar. Tornar o mundo mais humano é uma das dimensões da tarefa evangelizadora, que acompanha o anúncio querigmático da Boa Nova. Para os comunicadores cristãos, a busca de uma cultura solidária significa um empenho missionário em evangelizar a cultura. Significa munir de valores e de condutas promotoras da vida os processos de globalização, para que, antes de tudo, a glória de Deus se manifeste, e, como nos diz Santo Irineu, “a glória de Deus é que o homem viva”.

        Faço votos que a participação neste mutirão nos torne mais atentos a esta realidade, e nos torne comprometidos nesta tarefa de dizer que amor e esperança são valores que são, necessariamente, capazes de trazer vida e vida abundante a todos. Vivamos o amor solidário, e que seja esta nossa esperança.

        Um bom mutirão a todos, e muito obrigado pela atenção.

 

Pe. Marcos Radaelli

Assessor Diocesano

PasCom

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